PoemANDER




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Escrever

Escrever...
Escrever é uma decisão
É fazer das palavras simples
Uma nobre paixão
É sentir o universo
E tentar descrevê-lo em um verso:
"Imperfeita perfeição"

Amor Rude

Amor para mim é uma expressão dura
É assim e não se queixe
Sou como o Brasil na ditadura
Ou ame ou deixe

Ultrapassado

Sei que sou ultrapassado
Pois sou inquieto, intenso e perturbado
Não conto as horas e nem os dias
Sou do tempo que as músicas tinham melodia

Sei que sou ultrapassado
Pois ainda respeito o passado
Ainda sei o que é cultura
E acendo fogueiras em noites escuras

Sei que sou ultrapassado
Pois sei o que é pecado
Ainda busco uma luz
E sei fazer o sinal da Cruz

Sei que sou ultrapassado
Pois conheço a ilusão
Ainda escrevo recados
E não vejo televisão

Sei que sou ultrapassado
Pois ainda escrevo cartas à mão
Ainda sei acenar um adeus
Ainda creio em Deus

Sei que sou ultrapassado
Pois ainda sou intenso
Ainda sou tenso
E ainda penso

Sei que sou ultrapassado
Pois desenho corações no muro
E nas páginas de cada dia
Eu desenho meu futuro

Sei que sou ultrapassado
E me ultrapasso a cada dia
Para ver que a vida não é vazia

Entre leitores

Entre a espada e a cruz
Entre as trevas e a luz
Sigo meu caminho
Me negam a flor e me deixam o espinho

Entre o chão e o asfalto
Entre o passo lento e o salto
Sigo em frente
Peço passagem, mas recebo correntes

Entre a ponte e o precipício
Entre o fim e o início
Carrego esperanças
Peço perdão e recebo vingança

Entre o medo e a coragem
Entre a civilização e o selvagem
Sigo a caminhar
Peço um sorriso, me negam o olhar

Entre a rua e a escola
Entre tesouro e a esmola
Sigo de pés no chão
Peço atenção e ganho solidão

Entre o pinhão e a cereja
Entre o pagão e a Igreja
Peço um pedaço de pão
Recebo um não

Entre linhas escrevo
Entre a rodovia e o trevo
Escrevo minhas dores
E com meus poemas, ganho nobres leitores

Assim não fico desiludido
E sei que nem tudo está perdido...

Queima incenso

Queima incenso
Enquanto queimo meu tempo
Escrevendo frustrações

Queima incenso
Enquanto o sol não aparece
E a planta não cresce

Queima incenso
Enquanto eu penso
E dispenso
Meu lenço

Sim,
Lágrimas não precisam ser secadas
Lágrimas precisam ser evaporadas
Assim como teu aroma

Maldito incenso
Queima e some
Uma simples brasa te consome

Queima incenso
E alivia o ar tenso
Que respiro
Em seu aroma me inspiro

Me inspiro
Escrevo e deliro

CAMINHO DE VERSOS DIVERSOS

Adquira meu livro de poemas "Caminho de Versos Diversos" - produção independente com Registro na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Escreva para ander.ivai@gmail.com e receba maiores informações.

CRÔNICA - ANJOS


Pedro era um jovem urbano, desde pequeno tinha sua mente povoada por imaginações e lendas que levavam a crer na existência de anjos que o guiavam e acompanhavam.

Boa parte do tempo passava conectado na internet...

Após longas conversas no MSN, Pedro ficou pensativo sobre uma frase dita no final de uma conversa por uma amiga sua:

-Durma com os anjos!

Como seria um anjo. Será que ele tem asas. Dormirei mesmo com um anjo. Estas e outras dúvidas povoavam a mente do inocente moço que passou a acreditar que dormia com os anjos.

Certa noite deitou e em silêncio ficou a escutar o som da grama crescendo no jardim, começou imaginar um anjo dormindo com ele, com uma bela plumagem branca nas asas e um sorriso lindo. Adormeceu e sonhou com seu anjo, no sonho o anjo estava com ele na cama e este começou a brigar.

Pedro acordou assustado com a briga entre ele e o anjo. Olhou para sua cama e viu esta cheia de penas brancas. Sua consciência pesou, pois passou a ter certeza que tinha brigado com o anjo, que fazia companhia em sua cama.

Levantou assustado e notou que tinha apenas rasgado seu travesseiro de penas, que havia ganho de sua mãe.

 

Cuidado com sua imaginação.


 


Tinta

Somos a tinta mais colorida

Em um campo cinzento

A fé move nossa vida

E nos traz alento

 

Unidos em pensamentos semelhantes

Lapidamos nossos planos

Como nobres diamantes

 

Um poema, um cartão...

Uma conversa, um riso,

Uma história, uma canção

Um fato, um sorriso...

 

Somos nós

A letra não terminada de uma canção

Como dizia Raulzito

"Duas mãos coladas numa mesma oração"


 


ESTOU BEM! (Crônica)


-Como estás?

- Estou bem! Graças à atenção psicológica que venho recebendo estou conseguindo superar minhas fraquezas, já estou até tentando descobrir quem sou.

Graças aos calmantes já estou conseguindo até dormir. Esta noite consegui o recorde, dormi 2 horas e neste período até sonhei com paraíso, anjos e luzes.

-Estou bem!

A dor em minhas costas causada por esta cama branca de hospital já parece desaparecer, pois meu corpo já se acostumou.

As fraturas causadas pelo meu último acidente já mostram sinais de cura. Ontem fiz a última cirurgia, já estou conseguindo até mover meu braço, já respiro sem aparelho, já reconheço as pessoas. Não se preocupem, pois estou bem!

Nisso dispara um alarme de um aparelho, e anjos de branco (enfermeiras, médicos e socorristas) se aglomeram e perguntam:

-Como estás?

Aquelas pessoas de branco logo se transformaram em vultos, ao ponto de que não pude mais reconhecê-las, porém com minha garganta seca respondi:

- Estou bem!

Daquele momento em diante nada mais vi a não ser um grande túnel e no final vi um anjo  (de verdade) que sorriu para mim, foi sincero e me perguntou:

-Como estás?

Respondi sorrindo:

-Estou bem!

Enquanto isso em meu funeral, as pessoas tentavam acalmar meus familiares com a frase:

-Ele está bem!

Muitos anos se passaram até que restou apenas uma lápide de pedra, os poemas dela se apagaram, restou apenas duas datas, dois símbolos e duas palavras: "Estou bem!".

 

(Às vezes camuflamos nossa real situação, escondemos nossas mágoas e nossas dores, não se entregamos e anseiamos em cada vez mais dizer: "Estou Bem").

 

 


Haicai

Clara neblina
A santa na colina
Bela Irati

Noite de verão

Meus olhos fecham num instante
Gotas crepitam no telhado
A chuva é constante
O sono senta a meu lado

É nobre o ritual
Nem termino minha oração
É um som sem igual
Som da chuva é canção

De tudo esqueço
Respiro suave
E no silêncio adormeço

Sou levado ao mundo dos sonhos
Pulsa em silencio meu coração
E assim eu descanso
Bela noite de verão

Futuro e flores



Fechemos nossos olhos
Para o passado que nos condena
Abramos nossos braços
Para aquilo que vale a pena

Vamos esquecer
Nossas lágrimas e a escuridão
Vamos celebrar
O ritual de nossa união

Levantemos nossos braços
Cantemos um novo tempo
Firmemos nossos laços
Que tudo seja alento

Vamos brindar nossa vida e nosso amor
Que daqui pra frente
Seja tudo belo e simples
Como uma flor

Um verso

Um verso
E nele o universo
Nada mais preciso dizer
Palavras que me ensinam a viver
Um verso com a complexidade de uma vida
E com a simplicidade de uma flor
"Comungamos o verdadeiro amor"

Perguntas

Por que o céu está cinza
E os ares estão densos?
Por que me chamam de ranzinza,
Quando eu penso?

Por que os estouros são de tiros
E as músicas são sinos?
E quando me inspiro
Sou levado pelo destino?

Por que as águas se revoltam
E levam a montanha?
E quando falo em desequilíbrio ecológico,
Me chamam de estranho?

Por que matam os anciãos,
Os jovens e as crianças?
E com atos negativos
Matam minha esperança?

Por priorizam a beleza,
O luxo e a estética?
Por que me chamam de ultrapassado
Quando falo em ética?

O último retorno (Crônica)

Já fazia mais de dez anos que não batia palmas na frente do portão enferrujado e comido pelo tempo, na velha Rua Quinze.
Pouco havia mudado, o pé de cedro mantinha suas folhas verdes, as quais troca todo ano. Sua sombra ainda forte se projetava sobre a calçada quebrada. Pouco tinha crescido, ou nada diante de meus olhos azulados e cansados, atrás dos meus óculos com bordas bem definidas. O velho cachorro rabujento, insistia em latir, porém em um tom fraco, já desgastado pela velhice. Era Jagunço, cão antigo e companheiro, mas não mais me conhecia.
Continuei a bater palmas na frente da antiga casa, com sótão, pintura quase apagada pelo sol e pelas chuvas. Ou vi uma tosse profunda e um barulho de alguém caminhando lentamente pela velha casa, uma voz rouca perguntou-me quem eu era.
Meus olhos se encheram de lágrimas, pois reconheci a voz, fiquei sem palavras e meu corpo todo se arrepiou. A voz era feminina e tudo indicava que a pessoa que ali se encontrava estava sozinha.
Me identifiquei, mesmo sem enxergar a pessoa com quem eu falava, já sentia quem era. A velha porta se abriu e em frente aos meus olhos se projetou uma face cansada, com os olhos no fundo e um corpo corcunda apoiado por uma bengala de madeira que me chamando pelo nome, perguntou-me o porque de minha ausência por todos estes anos.
Respondi chorando que não estive ausente daquele lugar e sim, estive ausente de mim mesmo, falei do peso de meus sonhos, das verdades aprendidas, de meus medos, escombros e assombros que carregava em meus frágeis ombros.
Fui acolhido por um abraço forte e em prantos conversamos sobre os anos que se passaram, sobre a distância que separou nossas vidas e sobre o tempo que corrói nosso corpo e aos poucos nossa lucidez.
Ao entrar na casa via o velho quadro de “São João Maria”, profeta do Contestado já bem amarelado, servindo de abrigo para algumas aranhas marrons que ali habitavam, uma vela amarela queimava lentamente ao lado do quadro de São Jorge, o guerreiro do cavalo branco, caçador de dragões.
Era o fim do começo ou o começo do fim. Falei de minhas decepções, de meus altos e baixos na vida financeira, social, amorosa e política.
Logo, comecei a ouvir, quando daquela mulher cansada saía uma voz fraca e, dentre outras frases que me chocaram esta me abalou:
-Quando jovem quisera eu dominar a natureza, hoje a natureza me domina.
Olhou vagarosamente para a caixa de remédio tarja vermelha e para seus livros sobre plantas medicinais dispostos numa mesa circular coberta com uma toalha xadrez com bordados de Ponto Cruz.
Deixei minha mala no chão, enquanto a senhora esquentava a água para bebermos um chimarrão e mais tarde um café, que seria servido com broa. Ao ver as fotos de família, os quadros de santo e os calendários de gatinhos brincando com novelos de lã, meu coração pulsou forte, pois tive inúmeras lembranças de tal casa e seus utensílios, quando lembre do meu tempo de infância. Ainda vi um pião e algumas latas antigas, senti forte nostalgia, meus pulsos aceleraram.
Continuamos a conversa e fatos me levaram a tentar explicar o motivo de minha ausência inexplicável. Sem êxito, deixei de arrumar desculpas e fiquei ouvindo as palavras de alento vindas de uma pessoa tão nobre, abandonada naquela casa de madeira, esperando o dia de sua partida. Quanto conhecimento armazenado naquela mulher guerreira.
Ousei ouvir mais, até que a água borbulhava na velha chaleira de ferro e, desde então começamos a tomar um amargo chimarrão, uma bebida sagrada, nobre e vital.
Há mais de 10 anos não visitava dona Francisca, ou melhor, Dona Chica. Há 10 anos abandonei-me e tentei fugir de mim mesmo se refugiando em casas estranhas, sem o cheiro humano. Era preciso, ter feito o que fiz, mas era difícil aceitar tamanho vácuo no coração. Ela também tinha seu vácuo, seus filhos quase nem a visitavam, achavam que ela estava caduca, decadente. Pura imaginação, ela tinha muito vigor. Senti meu peito se preencher com as palavras baixas, mas muito enérgicas de Dona Chica.
Começou a mostrar fotos, algumas bem antigas, vindas da Europa, outras de desfiles cívicos, casamentos e fotos de família. Remexeu alguns documentos velhos e resolveu me doar alguns deles, agradeci e guardei estes em minha mala, poderia ser útil um dia, pelo menos para ser uma amostra do tempo que passou. Havia a foto de uma Igreja, que me chamou a atenção, cartas amareladas e algumas folhas datilografadas.
O sol começou a se por, resolvi me despedir, recebi a bênção e em silêncio me retirei.
Passados dois meses uma carta chegou, dona Francisca havia morrido e seu velório foi no asilo, onde residia há 3 dias. Fiquei sem palavras, sou humano e meu coração ainda pulsa.
Nunca abandone ninguém. Nunca abandone você.

(Anderson Gibathe)

*Os nomes, fatos e relatos são fictícios. Qualquer semelhança é mera coincidência.

A busca

Não busco olhos lindos,
Mas a sinceridade de um olhar
Não busco boca formosa
Mas um sorriso verdadeiro
Não busco lua, nem estrelas
Mas o brilho do luar
Não quero flores coloridas
Mas plantas com vida
Não quero ver seios formosos
Mas peito que me acolha
Não quero a força de um braço
Mas o calor de um abraço
Não busco a roupa bonita
Mas o agasalho que me aqueça
Não busco a grandeza do pão de açúcar
Mas a pureza do diamante
Não busco restos do passado
Mas lições para levar a vida adiante

A preciosa doação

Não é novidade que a quantidade de sangue no serviço público de saúde nem sempre é suficiente para suprir todas as necessidades de transfusões.
Sabe-se que o sangue é algo que não pode ser vendido, ou seja, sua obtenção para os bancos de sangue seda por meio de doadores voluntários, que periodicamente oferecem parte de seu tempo e de seu “fluído da vida” em prol dos seus semelhantes.
Sendo a doação um ato voluntário, boa parte da população não pratica este ato de amor, surgindo a grande necessidade de mais doadores e maior freqüência de doação por parte dos que já doam.
Além de ajudar a salvar vidas, a doação de sangue consiste numa oportunidade de se fazer vários exames sem nenhum custo e assim fazer uma avaliação de sua própria saúde, identificando possíveis doenças, contribuindo assim para uma qualidade de vida melhor.
É preciso despertar as pessoas com condições de doar sangue para a prática deste gesto bonito e de grande eficácia em muitos casos de saúde do país. Algumas instituições já isentam as taxas de concursos públicos para doadores de sangue, sendo uma forma de incentivo e reconhecimento aos doadores.
O tempo é o grande fator limitante do ser humano na atualidade. A correria do cotidiano afeta de forma significativa boa parte da população, faltando tempo para atividades paralelas, como a doação de sangue, por exemplo. É preciso que nossos representantes no poder discutam e aprovem as doações de sangue em horários alternativos, como a noite ou sábados. Esta medida impulsionaria mais pessoas a doarem sangue, pois muitos não são doadores, devido à falta de tempo.
Com o incentivo à doação, aumenta a quantidade de sangue nos bancos e com isso muitas vidas podem ser poupadas.
Os doadores recebem alguns dias após a doação os resultados dos exames e o tipo sanguíneo, este pode ser colocado em documentos, sendo bastante útil em emergências.
Doar é um gesto de amor! Comente este assunto com seus familiares e amigos, muitos esperam por sua ação.
Maiores informações: www.saude.pr.gov.br

ANDERSON GIBATHE
E-mail: ander.ivai@gmail.com
Blog: www.paranadosul.blogspot.com

(Publicado no Jornal Folha de Irati em 09/10/2009)

Venha o sono

A casa e a deserta rua
Escorridas palavras nuas
A escassez do sorriso
De mãos dadas com a ausência do juízo
Noites etílicas
Incensos baratos
Vida empírica
Com cor de rato
Vela que some
Oxigênio que se consome
Poeta escreve...
Logo dorme

Sequestradora de Sonhos

Tão insignificante
Como a Guerra Santa
Minha voz rouca
Agora canta

Por entre os trigais
Neblina se levanta
Sobe ao céu
Mas não chega ao paraíso

Sonhos se dispensam
Quando sua imagem
Some no horizonte
Como um rio que leva a ponte


As pessoas são inconstantes
Se um dia nos amam
No outro nos ignoram
Talvez no outro nos detestem
José foi vendido pelos irmãos
A desgraça alheia é comemorada com festa
Amar é o que nos resta

Quatro estações sem você

Em noites de outono
O seu abandono
Frio de inverno
Sem meu amor eterno
Na manhã de primavera
Sem a bela e sem a feras
E se chegar o verão
Digo bom dia solidão

Guerras e Tormentas

Levantem-se soldados
Armados ou amados
Venham-me todos
Feridos ou iludidos
A guerra é dura
Sei bem o que é
Mas há uma praia segura
Basta você ter fé
Tempestades são fortes
Desafiam a sorte
Mas viram garoa
E se desfazem a toa
Num dia qualquer

"Caminho de Versos Diversos", o livro

O Livro "Caminho de Versos Diversos" já teve seu primeiro exemplar impresso, sendo que nesta semana inicia-se a impressão de tiragens maiores. A comercialização se dará através de uma loja virtual, diretamente com o autor e em alguns estabelecimentos comerciais da região, que brevemente serão divulgados aqui. A arte da capa é de criação de Adriana A. Hirt (óleo sobre tela).

Vida Nublada

Hoje as nuvens estão cinza
O sol nem nasceu
Hoje as flores não se abriram
E a folhagem não cresceu

Hoje o vidro apareceu quebrado
Minha caneta não quis escrever
Sua ausência estava do meu lado
Tentando me entristecer

Hoje os sinos badalaram
E minha fúria se acabou
Hoje os anjos silenciaram
E não mais sei onde estou

Hoje o brilho se ofuscou
Senti a garganta sedenta
Hoje, algo começou e algo terminou
Vi meu sorriso ausente
E as lágrimas presentes

Eu e ela

Antes era "ela"
Antes era "eu"
Depois "eu" e "ela"
Éramos "nós"
Hoje,
Não sei onde jaz meu "eu"
Nem sei quem é "ela"
Acho que nunca mais seremos "nós"
Quero pelo menos ser "eu"
Talvez não me importe mais quem seja "ela"

Falsificação

Quão falsos são os bonecos

Fingindo ser gente

Quão vãos são os ursos de pelúcia

Fingindo ter sangue quente

Quão insignificantes são as rosas de plástico

Fingido ser vivas

Quão cegas são as lentes

Que dizem ser decisivas

Quão falsos os lagos que se acham mar

Quão insignificante é a vida

De quem não sabe amar!

Distâncias invernais

Branca geada
Nos campos gramados
A alma cortada
Pelos ventos gelados

Busco o calor
Por detrás do meu terno
Busco um amor
Que seja eterno

Geada some
No ventre terreno
O sol a consome
Também leva o sereno

Eu permaneço
O sol me aquece
Escrevo poemas
Em forma de preces

O Inverno e sua Ausência

Folhas rolam pelo chão


Pulsa forte, meu coração

O vento frio por mim passa

Meu companheiro é o banco de uma praça



Não esperava tal ausência

Que abalou minha existência

Me aquece oh meu terno

Nesta fria noite de inverno



Não posso mais pensar em nada

Triste é minha noite enluarada

Vou para casa adormecer no silêncio

Buscar nos sonhos o suprimento para sua ausência

Ensaio

Por entre colinas levanta

A neblina, aura santa

Contrastando com o verde

Que ao poeta encanta



Passam dias de verão

Chegam dias de inverno

Não me importa a sensação

Quero este lugar eterno



Araucárias são taças

Campos verdes são graças

Passa o tempo com calma

Repousará aqui a minha alma



Enquanto isso espero o tempo passar

Vendo longe se levantar

A suave neblina

Que sai do vale, desafiando a colina

Queria

Quantas dúvidas

Sonhos pesados

Medo de lado

Insegurança

Queria voltar a ser criança

Reconhecimento

Kolody, Leminski e meus dias
Eterna a poesia
Escrita com a alma
Me alenta e me acalma
Vivem...



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Menina

Me saciei com sua presença

Sinto na alma tua ausência

Pouco importa minha crença

Nem a minha paciência



Você me faz pensar

Me obriga a crescer

Me ensina a perdoar

E amar sem saber



Olhos que me fascinam

Sorriso que me atrai

Seus passos me ensinam

A ir onde você vai



Se encontramos por destino

Que outros chama de sina

Me tornei de volta menino

Para te saudar linda menina



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O tempo, a vela e o vento

Passa o vento,
Passam momentos,
Permence teu silêncio...

Velas se acendem
A luz transpassa
Permanece a dor que não passa

Meu Deus,
E  o futuro?
Colocarei em tuas mãos
...

(passe o tempo, venham os ventos, acendam-se as velas, cruzem as mãos)


NOTA: com o passar do TEMPO, o VENTO pode apagar a VELA.

Escultura

Perdi minha luz, meu calor
Ganhei uma cruz, perdi meu amor
O sol me trará, o calor e a luz
Eu mesmo carregarei a cruz
Quem me trará de volta o amor?

Ausências
Inpaciências, ciências
Inconsciências
Como amar?
Se levaram me a fôrma do amor
Terei que ser agora escultor?
Dai-me um tempo
Dai-me as ferramentas
Dai-me os sentimentos
Tentarei,
Não sei qual obra será a final
Mas a farei
 (enquanto eu tiver um coração)
...

Minha ausência

Ai que saudades de mim
Roubaram meu espelho
Levaram os olhos que um dia foram meus
Onde vagam nestas horas?
Onde jaz o meu eu?
Voltará sem demoras?

Onde foi minha face?
Outrora sorridente
Onde se perderam meus sonhos?
Estarão num vale seco, outrora tão pungente?

Voltai, oh meu eu
Sem mero egoísmo
Voltai a mim
O espelho embora trincado
Os olhos, os sonhos e a face

voltai...

Preciso de você, oh meu eu

Amor, a cura e a droga

Aquilo que era para ser a cura
Abalou minha estrutura
Aquilo que era para ser minha sorte
Levou-me para perto da morte
O que era o amor de minha vida
Em meu peito virou ferida
Amor, a droga e o remédio
A paz e o tédio
Sonho de criança
Desilusão e esperança

O perfume e o espinho da flor
Amor...

Nada mais que minha crença

Nada mais
que uma poeira do universo
alguém fazendo versos

Cadê, os sonhos que plantei?
roubaram o brilho do luar
venderam a cruz e o altar

Levou-me os olhos e os lábios
escondeu-me a face e o sorriso
me deixou no deserto, caminho para o paraíso

Me trouxeram companhia
rádio de pilha e uma canção
carregados pela Dona Solidão

Foi-se meu sono
sonhos e promessas
o horizonte apenas me interessa

Passe o tempo
corram lágrimas
rosto salgado me pertence

Por culpa de um quadro
tudo acontece
dias se vão e a gente não esquece

Tinta marca e não sai
tão forte, tão intensa
final de dia, resta minha crença

Lançamento do livro (sem cerimônias)

Lançamento cerimonial?
-Não! Ou pelo menos nada de simbólico, nada de cenas, nada de flashs, nada de discursos vãos e nada de flores, nem naturais de plásticos, estas apenas colorem os sentimentos e no momento, nem sei que cor atribuiria a estas. Talvez cinza, se porventura existir tal variedade vegetal ou sintética. Na atual fase o vermelho é muito intenso, assim como qualquer outro tom comum em tais cerimoniais ou rituais.
Se lesse um poema em frente a uma tribuna, não precisaria do tal livro, ou seja, que o “prazer” da leitura não seja morto por um discurso vão que apenas traria a falsa imagem de superioridade, que jamais serviu para algo verdadeiro. Que hipocrisia achar que determinado escritor se coloca acima de qualquer pessoa, muito pelo contrario, pode estar abaixo do mais simples mendigo, embora as cascas enganem, maquiem e neguem qualquer comparação.
Não convém gastar um centavo sequer com tal cerimonial, nem as horas, nem combustível para unir ali as pessoas simpatizantes daquilo que pode ser apenas uma manifestação artística insignificante para a maioria das pessoas da região. Podemos inteligentemente usar o dinheiro, o tempo e o combustível para uma causa mais nobre, como ajuda para alguém, sem nenhuma divulgação é claro, para que não se perda o efeito.
Que seja lançado tal livro, porém em silencio, assim como o luar adentra a noite sem nenhum som e nem por isso deixa de ser um grande espetáculo, porém apenas contemplado pelos que o buscam.
As fotos um dia se apagarão, os discursos apenas esculpem o orgulho, tão adversário da perfeição, tão adversário da humildade e tão adversário da poesia e da arte em si.
Nada contra aqueles que apresentam seus trabalhos em público, pois sabe-se que precisa-se divulgar, porém deve-se tomar cuidado com os reais objetivos de tal divulgação e se esta cumprirá de fato sua função ou se será apenas um meio ilusório. É preciso expor, mas não busco a forma tradicional, busco a criação. Me convém uma matéria específica em determinado jornal ou qualquer outro veiculo de comunicação para mostrar apenas que algo novo está sendo criado.
Composição de mesa para mim é cópia de qualquer palanque que “eleva” as pessoas, ou melhor, traz a sensação de superioridade, que não por poucas vezes busca objetivos pessoais futuros. Sendo isso cópia, torna-se o puro oposto à arte, pois nada se cria, perdendo sua característica maior.
Não objetiva-se o lucro em si, é claro o livro terá que ser vendido, para arcar com custos de impressão, registros e outras taxas decorrentes da confecção. O objetivo magno de tal publicação é mostrar a intensidade que ainda existe e se manifesta em sentimentos que se conduzem a uma metamorfose que se resulta em palavras que originam versos e estes se somam em poemas. Sentimento e arte não são utensílios que podem ser vendidos em qualquer banca ou na mais sofisticada loja, é algo maior, é algo que não possui nem merece ter uma descrição, pois assim perderia seu objetivo principal: levar ás pessoas a pensarem.
Finalmente, quero dizer que não estou endeusando meu trabalho, nem desfazendo este com objetivo de elevar acima de outros, quero deixar claro que não necessitamos de tal cerimônia, mas nem por isso o livro deixará de ser lançado, porém de forma silenciosa, assim como as verdadeiras poesias.
Um abraço!

Anderson Gibathe (se fizer necessário assinar).

Minha Lua Distante

Minha lua distante
Lembro de ti a todo instante
Queria tanto te contemplar
Queria o brilho do luar
Numa noite estrelada
Quero a sua olhada
Com seu brilho a me falar

Canoa

Uma canoa
Deixada a toa
Na beira da lagoa...

Sozinha, traída
Desiludida
Esquecida

Canoa, com remo sem par
Balança devagar
Quer apenas o oceano conquistar

Canoa indecisa
Alguém de ti precisa
Canoa, tardes e brisas...

Eu quero ver

Eu ainda quero ver

Atrás da serra o sol se pôr

E da terra seca o desabrochar de uma flor

Quero ver ao longe

A linha do horizonte

E a água cristalina brotando de uma fonte

Eu quero ver as curvas da estrada

O olhar de minha amada

E a bandeira da paz no lugar da espada

Eu quero ver tudo isso do princípio ao fim

Pois a vida é um jardim

Em que entre flores e espinhos existem dois caminhos

Em que cada um pode escolher

Por isso que muito mais eu quero ver,

Assim como todo dia vejo sol nascer

Bons ventos


Bons ventos me tragam

O perfume da flor

Bons ventos me levem

Até meu amor



Bons ventos espalhem

As sementes e a neblina

Bons ventos arejem

A verde colina



Bons ventos me tragam

A paz e o alento

Bons ventos desfaçam

Os mais graves tormentos



Bons ventos

Tragam-me os

Melhores momentos
Nesta postagem não há poesia escrita, a foto é uma poesia...

Alento e tempo


Quando tudo é incerto

Quando os jardins viram deserto

Quando a fumaça rompe a neblina

E se desmorronam as colinas

Eu busco alento

Tento adoçar os momentos

Da amarga solidão

E curar as feridas

Do corroído coração

Sou escombros

Amparados em ombros

De amigos que são irmãos

E me pegam na mão

Indicam me a estrada nua

E me dizem que

A vida continua...

Merenda


Cafezinho na mesa

Tudo na simplicidade

Suprema beleza

Casa da mãe

Saudades...

Ainda...


Se a flor ainda desabrocha na madrugada

Se o sereno ainda vira geada

Se o sol ainda aquece

Se a planta ainda cresce

Ainda há tempo...

Se a lua ainda emana o luar

Se o pássaro ainda insiste em cantar

Se a água ainda é corrente

Se o sangue ainda é quente

Ainda há tempo...

Se a terra ainda e forte

Se ainda existe o norte

Se ainda germina a semente

Se ainda temos gente

Ainda há tempo...

Se ainda é azul o céu

Se ávida ainda é o maior troféu

Ainda há tempo...

Enquanto da última bomba

Não se ouvir o estouro

E o último grito

Clamando por socorro

Destruição





Destruímos o que amamos

E o futuro que sonhamos

Destruímos nosso juízo

O olhar e o sorriso

Destruímos lutando

Destruímos esperando

Destruímos errado

Face a face, lado a lado

Destruímos sonhos da infância

Com a nossa ganância

Destruímos nosso grito, nosso canto e nossa voz

Destruímos o que é bonito, o encanto

Destruímos nós

Nada feito




Ares cheiram conspiração

Segredos aguardam por revelação

Mitos e lendas

Como taludes e fendas

Aguardando inundação

Os céticos debocham

Os fanáticos se apavoram

Se as horas se renderem aos segundos

Que acabe o mundo

Escombros e ombros


Quando tudo é incerto

Quando os jardins viram deserto

Quando a fumaça rompe a neblina

E se desmorronam as colinas

Eu busco alento

Tento adoçar os momentos

Da amarga solidão

E curar as feridas

Do corroído coração

Sou escombros

Amparados em ombros

De amigos que são irmãos

E me pegam na mão

Indicam me a estrada nua

E me dizem que

A vida continua...

Alento e tempo

Alento e tempo


Quero alento

Quero mitigar a dor do momento

Quero mudar o meu pensamento



Quero entender

Quero esquecer

Quero viver...



Sentado na estrada

Sem minha amada

Vivo a vida complicada



Não sei a razão

Minha companheira é a solidão

Nas longas tardes de verão



Se perde a graça

Se enche a taça

Ainda bem que o tempo passa

Devagar

Devagar


Meu filho, vá devagar

Deus em primeiro lugar

Depois a vida

Vai firme, nesta subida

Se comporte

Sejas forte

Conselho de mãe

É deste jeito

Preciosidade, que levo em meu peito

Iguaçu



Iguaçu

Serpente gigante

Que se quebra nos rochedos

Esconde segredos

Em teu leito azul

És água, és energia

És meu Rio Iguaçu

“Apenas” Irati



Os raios de sol transpassam a neblina

Surge na névoa, a verde colina

Em seu topo, a santa

Que os inspirados encanta

Para alguns, paisagem vislumbrante

Para os distraídos daqui

Apenas Irati

Por um dia...

Quero um dia voltar a ser criança
E ter a simplicidade como herança
Sentado em um jardim
Quero gritar forte
Buscar a sorte
Na estrada sem fim...
Quero sonhar com a mocidade
E vida de gente grande
Quero imaginar uma cidade
Que no jardim se espande
Algodão doce e chiclete de melancia
Quero chã de hortelã
Quero esquecer que existe o amanhã
Apenas por um dia

A carta


Uma carta por ti assinada

Letra altiva de minha amada
Muito mais que um papel
Palavras doces como o mel
Sentimentos camuflados
Em versos rimados
Suprema beleza
Em uma carta sobre a mesa

IMAGEM DA CAPA



A tela acima foi pintada pel areboucense Adriana A. Hirt e será usada como plano maior da capa do livro de poemas de Anderson Gibathe. Trata-se de uma obra artística de acrílico sobre tela. Os significados são os seguintes:
>>LAGO (ÁGUA): a vida
>>ESTRADA: decorrer da vivência (não aparece o fim, ou seja, simboliza a eternidade)
>>ÁRVORE FLORIDA: poesia
>>CERCA: os desafios
>>ARAUCÁRIA: síumbolo do Paraná, terra onde foram escritos os poemas.

O LIVRO SERÁ LANÇADO EM BREVE, AGUARDA REGISTROS E TRAMITAÇÕES. A DATA, LOCAL (E RAZÃO) SERÃO DIVULGADOS NESTE BLOG. RESERVE JÁ O SEU EXEMPLAR PELO E-MAIL: ander.ivai@gmail.com

VENDEDOR AMBULANTE

Se vende o nada e o tudo
Se vende o livro e o estudo
Se vende a lama e a razão
Se vende o pão e o chão
Se vende o voto e a liberdade
Se vende o dom e a intelectualidade
Se vende a força do trabalho
Se vende a estrada e o atalho
Se vende a luz
Se vende a cruz
Se vendem as terras
Se vendem as glebas
Se vende o futuro
Se vende o que é puro
Se vende a segurança
Se vendem os sonhos de criança
Se vende a democracia
Se vende a alegria
Se vendem os direitos
Se vendem os jeitos
Se vende os campos
Também as cidades
Se esconde...

Mas não se vende a verdade

Nuvem noturna


A nuvem iluminada pelo luar
Tinge o firmamento
Dança no ar
É sensação do momento
Faz graça
Passa
Não se cansa
No céu tem dança

Rio cheio


Rio cheio
Da Terra artéria
Em nosso meio
Espanta miséria
Barulho da água é canto
Cachoeira: encanto

Um poema


Um poema
Um poema para o jardim
Para o começo e para o fim
Poema para o nascimento
Um poema para cada acontecimento
Poema para a sorte
Triste poema para a morte
Poema da chuva: um pingo
Poema para o rei e para o mendigo
Poema de mistério
Poema escondido no cemitério
Poema de dor
Poema de amor
Poema de amizade
Um poema...
Para a eternidade

Noite encantada


Lua tão brilhante
Luar bonito
Estrelas distantes
No infinito
A brisa é calma
E o som das águas
Lavam a alma
E levam as mágoas
Suprema beleza
Noite maravilhosa
Mãe natureza
Cada vez mais charmosa

ERA PRAÇA

Ai que saudade da velha praça
Palco de boêmios, vapor de cachaça
Que saudades dos canteiros de flores
Dos casais de namorados, essência de amores
Ai que saudade daqueles pés de frutas
Do ponto de ônibus, reduto de prostitutas
Saudade das noites de perigo
Lugar das polemicas brigas de mendigos
Ai que saudade da velha praça
Que o progresso comeu
Não tem mais azaléia, nem parque de pneu
Não tem mais o busto do herói
A chuva ácida tudo corrói
Hoje existe uma floresta de pedras acizentadas
Já não tem mais gari, nem funcionário com enxada
Cada um correndo ali passa
Hoje é asfalto
Não é mais praça

OCULTOS MISTÉRIOS


Ocultos mistérios
Rondam os cemitérios
Na cidade esquecida
As folhas caem com a brisa suicida
Um tom macabro
E um candelabro
Com uma vela acesa
No túmulo da princesa
Ruas sem dono
Agonizam no abandono
Cidade adormecida
Uma flor é sinal de vida
Onde jaz o velho lutador
Onde jaz o sonhador
Onde está o amor
Permanece um culto mistério
Ou ta sepultado num cemitério?
Onde está o amor?
Estará na simplicidade de uma flor?

MERENDA

Doce na mesa
Tudo na simplicidade
Cafezinho na mesa
Suprema beleza
Casa da mãe
Saudades...

A NOITE


Cai a noite
Como uma imensa cortina negra
Uma brisa sopra e traz a suave sensação
Estrelas dão o show em noites de verão
É mais um dia que se vai
Como tantos que se foram
E como tantos que virão
E como um ladrão silencioso
O tempo vai passando
Levando a vida em suas costas
Te esperando uma resposta
E nesta suave noite
O sono irá te abater
Como uma ave de rapina que abate sua presa
A noite se vai como as águas correntes
E vira o passado que nunca mais há de voltar
Resta apenas aquilo que as pessoas chamam de presente
Cravando uma escada no chão bravo e duro
Para garantir aquilo que as pessoas chamam de futuro
Onde tantas noites cairão
Como cortinas na imensidão

MADRUGADA


Madrugada
Cidade adormecida
Se parece esquecida
Em meio ao nada
Altas horas da madrugada

Sombreado o cemitério
Ocultos mistérios
Imaginação

Nem um carro
Nem um estalo
Solidão

Estranho e sozinho
Cheiro de vinho
Paira pelos ares
Um ar denso
Paro e penso
Vendo as constelações estelares

Um galo canta
Outro responde
Não sei onde
Este é rei

Não tenho medo
Não falo alto
Meus passos crepitam
No gelado asfalto

Vão se os segundos
Os minutos
Logo as horas
E eu vou-me embora
Fui...

Tinta e orvalho



Numa trincheira ou numa emboscada

Num atalho ou numa estrada

Numa festa ou numa floresta

Na terra estranha

No topo da montanha

Acompanhado ou sozinho

A beira do caminho

Tentando entender o universo

Nos toques suaves que formam os versos

Eu escrevo

Eu descrevo o relevo da terra

Destaco as serras

Vales e cachoeiras

Sim, tento ser escritor

Do tudo ou do nada

Ou de nenhum dos dois

Sou mais um que se foi

Para o mundo em busca de aventuras

Se a vida é dura

Hei de amaciar

Se o choro é tanto

Hei de cantar

Se a esperança acaba hei de sonhar

Se nada mais puder fazer

Vou escrever

Nem que seja em minha mente

A poesia é a semente

Num campo pedregoso

E há de brotar entre os espinhos

O caminho

Para ir além

Para o futuro

Para o refúgio mais seguro:

Os versos

Tinta e orvalho

Na folha clara

Ao som de um a cigarra

Eu escrevo

Buscando a razão

Com tinta e gotas de orvalho

Orvalho da manhã

Manhã de verão

GUARTELÁ



No coração de meu Paraná

O povo saúda o belo Canyon Guartelá

Com sua variada vegetação

Do turista chama a atenção

Tem araucária e tem cerrado

Com tanta beleza, o visitante fica encantado

Tem pinturas milenares nas lapas

Sua beleza não está no mapa

Quem por ali passa fala em lugar bonito

Tem esculturas naturais em seus arenitos

Da grande cachoeira ao majestoso mirante

Uma linda visão da paisagem elegante

A conservação da natureza

Guarda este tesouro de belezas

No ambiente, a harmonia

No turista, a expressão de alegria

O sorriso dos voluntários

Dispensa comentários

Tudo isso faz deste Parque Estadual

Um ambiente colossal

Onde a vida e arte natural

Se unem de lado a lado

Num pedacinho deste grande e querido estado

IRATI, ME ORGULHO DE IRATI



Debaixo do lindo céu azul

Brilha a bela Pérola do sul

Com um povo amigo e hospitaleiro

Que honra essa fatia do chão brasileiro

Terra adorada, com lindas praças

E no alto a imagem de Nossa Senhora das Graças

Vejo sinais de um tempo novo

No sorriso amigo de seu povo

Que muito mais que trabalhar

Quer o mundo melhorar

Cidade centenária, com passado glorioso

Que deixa seu povo cada vez mais orgulho

Sua riqueza cultural

Mostra uma diversidade colossal

Amada e querida Irati

Essa é uma simples homenagem a ti

Simples, mas com grande amor

Pois da fertilidade desse chão

Brotará um futuro promissor

Com a força de cada cidadão

THE END

Incenso queima lentamente

Fumaça é perfumada

Poesia pelo ar

Rola inspiração

Um objeto de cristal

É arranjo na estante

Um verso em cada instante

Tem o lápis em punho

Papel branco é rascunho

Sem amor e com dor

Escreve triste o poeta

Relembra do passado

Dos mendigos, dos profetas

Já não tem a sua amada

Chora triste de mãos cruzadas

Com lágrimas ardentes

Como a pimenta mais forte

É jovem ainda, mas já espera a morte

Se aventura pela tinta

Em folhas de papel

Choro é cachoeira de absinto

Apocalíptico sinal

Já não vê tecnologia

Parece estar na idade média

Internet não tem mais

Nem flores, nem pardais

Ouve badaladas de sinos

Na antiga catedral

Não tem musica de viola

Nem o som típico de vitrola

O seu disco é voador

Seu sentimento é a dor

Já perdeste a família

E a vontade de fazer trilhas

Já perdeu o luar

E a vontade de lutar

Já não tem ambição

Nem amor pelo seu chão

Viu a água avermelhada rolar pelo chafariz

Casa velha é teu lar

Tem o peso do passado

Sobre seu corpo adoentado

Café forte, sua bebida

Já não ama as corridas

Nada importa

Não tem mais juízo

Espera o paraíso

É cristão

Já foi ateu

Já leu a Bíblia

Também o al corão

Era homem bom

Embora fosse aventureiro

Perdeu seu dinheiro

Na busca de aventuras

Em sua mente criou uma ditadura

Viu as canetas do poder

Escreverem sua biografia

Não era lindo, mas foi amado

Pagava os pecados

Sem dinheiro

Com a vida

Existia

Insistia em seus versos

A descrever o universo

Conheceu as maravilhas da ciência

E a profundeza do nada

Não tinha enxada

Mas um dia foi colono

Era sem dono

No amargo do conhaque

Descontava a perversidade

Era poeta

Quem sabe...profeta

Do nada

Foi popular

Perdeu os amigos

Era presidiário de suas idéias

Foi estagiário do sistema

Tudo virou poema

Como a metamorfose da borboleta

Se tornou escravo da caneta

Incensos queimavam no silencio...

De um quarto com luz quase apagada

A vida também

Andou de trem

E muito de carona

Dormiu debaixo da lona

E no nobre castelo

Já usou tênis da moda

Mas só tinha chinelo

Era escultor da tinta

Nas folhas brancas

Conheceu as pessoas mais francas

E as mais traiçoeiras

Decepcionou

Mas foi muito mais decepcionado

Não era político

Era critico

Seu erro:

Tentar entender tudo

Não era mais alquimista

Perdeu seu dom, suas virtudes

Seus vícios

Abismo era seu quarto

Pensou em suicídio

Mas...era contra sua poesia

Que insistia em emanar vida

Daquelas cinzas

Misturadas com lágrimas, sangue, suor

Descobriu sua missão

Na hora que nada lhe interessava:

Era oferenda

Holocausto puro

Para a sociedade e o mundo

Seu cérebro

Comido em uma mesa enfeitada

Pelos gaviões do poder

E da burguesia

Era poesia

Triste, alegre, doce, amarga...

Era um poeta em estagio terminal

Era ... oferenda no ritual mais do que sagrado

Não tinha mais sua amada, nem garotas, nem amigos

Não ligava para perigos

Era oferenda...um prato raro

Posto a mesa....

Era poeta

E o incenso queimava...

Como a vida

De quem é oferenda

Holocausto puro

Poesia não terminada

Falava do nada

Tinha fumaça de incenso

No ar

Se emanava a áura branca

Como um anjo perfumado

No silencio de um quarto


Cristais não brilham mais

Nada brilha neste quarto

Liberdade= utopia

Para ele

O tempo devorou a beleza

Incensos a queimar...

Tem alguém aí?

Tem sim,

Por enquanto!

Mas este é o fim...

Talvez daqui a pouco

Não sejam mais incensos

Sejam velas

Ao lado da grande caixa

Lustrada

Carregada por seis

É a vez...

The end

CONTESTADO


Meu chão amado
Casa esverdeada
Terra cobiçada

Delimitada a sangue, a fogo e a bala
Sua História me abala
Seus campos tão bonitos
Terra de um imenso conflito

Terra onde o sábio João Maria
Rezou em romaria
Com seu povo oprimido

Terra que dos imensos pinheiras
Terra da erva-mate
Onde o combate hoje não mais convém
Terra riscada firme pela linha do trem

Terra que escrevo em meus versos
Um pedaço do universo
Que muitos cobiçaram
E muitos aqui morreram
Porque esta terra amaram

E assim me vou...


E assim me vou

Rumo ao futuro

Um pouco inseguro

E por este caminho

As vezes me sinto sozinho

Quando escure na estrada

E não vejo nada

Penso em desistir...

Mas, o horizonte me chama

E assim me vou



Por este caminho

Cheio de pedras e de espinhos

A vida é minha motivação

sem ilusão

E assim eu me vou

Madrugada na cidade adormecida

Madrugada

Cidade adormecida

Se parece esquecida

Em meio ao nada

Altas horas da madrugada



Sombreado o cemitério

Ocultos mistérios

Imaginação



Nem um carro

Nem um estalo

Solidão



Estranho e sozinho

Cheiro de vinho

Paira pelos ares

Um ar denso

Paro e penso

Vendo as constelações estelares



Um galo canta

Outro responde

Não sei onde

Este é rei



Não tenho medo

Não falo alto

Meus passos crepitam

No gelado asfalto



Vão se os segundos

Os minutos

Logo as horas

E eu vou-me embora

IVAÍ


Um lugar onde o povo materializou a cultura
Em sofisticados detalhes da arquitetura
Seus templos demonstram sua força religiosa
Que brota desta gente amiga e calorosa
Da terra forte e das mãos calejadas
Vem o progresso desta cidade amada
Toalha bordada, fartura na mesa
Em suas cachoeiras ilustre beleza
Nas faces humanas
Os traços da cultura ucraniana
Dos estrangeiros fostes terra preferida
Dos brasileiros tão querida
Símbolo da união em sua bandeira
Cidade tranquila, mas hospitaleira
Felicidade e sucesso moram aqui
No meu Paraná, na cidade de Ivaí
(Anderson Gibathe)

A decepção

A decepção cegou o destino

De quem um dia amou

A decepção quebrou a ponte

De quem um dia a iniciou

A decepção tapou os olhos

De quem um dia longe olhou

Trouxe as lágrimas que em um rosto se propagou

E com sabor salgado em um aboca se acabou

Ela tirou a profecia

De quem era profeta

Ela tirou a poesia

De quem um dia era poeta

Ela derrubou um muro

Quase inaugurado

Deixou uma mancha no passado

De quem olha seu império

Com um tom de cemitério

Pois a decepção

Um dia

Acabou com sua paixão

EM BUSCA DA ESSÊNCIA...

ESTRADA

Estrada personalizada
Vampiros me rodeiam
Na estrada...
Estrada de pedras
Espinhos e cores
Dores e amores
Estrada
De calor e de frio
De obstáculo: desafio
Estrada...
Onde o cansaço me abate
Onde o tempo me bate
Com uma punhalada nas costas
Me pede uma resposta
Sobre a vida, o futuro, sei lá...
Estrada dirá

Vem

Vem saciar meus desejos
Vou me embriagar com seus beijos
Vem me prender com seu laço
Quero sentir o calor de seus abraços
Vem quebrar meu gelo
Quero acariciar os seus cabelos
Jurar para sempre o meu amor
Vem receber esta flor...
Vem ser minha alegria
E a inspiração de minhas poesias
Vem ser meu amor...
Vem me tirar esta dor
Quero contigo
Ser mais que um amigo
Olhara noite de lua
Andar descalço na rua
Olhar seus olhos e
Jurar meu amor
Sair pelo campo e te dar
Uma flor
Vem completar meu eu
Quero ser seu!

A NOITE

Cai a noite
Como uma imensa cortina negra
Uma brisa sopra e traz a suave sensação
Estrelas dão o show em noites de verão
É mais um dia que se vai
Como tantos que se foram
E como tantos que virão
E como um ladrão silencioso
O tempo vai passando
Levando a vida em suas costas
Te esperando uma resposta
E nesta suave noite
O sono irá te abater
Como uma ave de rapina que abate sua presa
A noite se vai como as águas correntes
E vira o passado que nunca mais há de voltar
Resta apenas aquilo que as pessoas chamam de presente
Cravando uma escada no chão bravo e duro
Para garantir aquilo que as pessoas chamam de futuro
Onde tantas noites cairão
Como cortinas na imensidão

A DECEPÇÃO

A decepção cegou o destino
De quem um dia amou
A decepção quebrou a ponte
De quem um dia a iniciou
A decepção tapou os olhos
De quem um dia longe viu
Trouxe as lágrimas que em um rosto se propagou
E com sabor salgado em um aboca se acabou
Ela tirou a profecia
De quem era profeta
Ela tirou a poesia
De quem um dia era poeta
Ela derrubou um muro
Quase inaugurado
Deixou uma mancha no passado
De quem olha seu império
Com um tom de cemitério
Pois a decepção
Um dia

Acabou com sua paixão

AMOR PERFEITO

Não dá para parar as ondas
Do grande mar azulado
Não dá para segurar a fúria
Do ciclone e do tornado
Não dá para parar a Terra
Do seu giro mais perfeito
Não dá para esconder a verdade
Você é meu amor-perfeito

Madrugada

Cidade adormecida
Se parece esquecida
Em meio ao nada
Altas horas da madrugada

Sombreado o cemitério
Ocultos mistérios
Imaginação

Nem um carro
Nem um estalo
Solidão

Estranho e sozinho
Cheiro de vinho
Paira pelos ares
Um ar denso
Paro e penso
Vendo as constelações estelares

Um galo canta
Outro responde
Não sei onde
Este é rei

Não tenho medo
Não falo alto
Meus passos crepitam
No gelado asfalto

Vão se os segundos
Os minutos
Logo as horas
E eu vou-me embora

VISÕES

EM QUADROS NEGROS AS VELHAS LIÇÕES
AMADORES ENTOAM ANTIGAS CANÇÕES
UMA VELA ACESA, UMA IMAGEM, UMA VIDA
NAS RUAS, A VERDADE DESAPARECIDA
SENHORAS CONSPIRAM AS VIDAS ALHEIAS
NUM PALMO DE TERRA,UMA TEMPESTADE DE AREIA
NAS LIXEIRAS, VALORES DESCARTÁVEIS
NOS DICIONÁRIOS, PALAVRAS INUTILIZÁVEIS
CONFLITOS SEM PÉ, CABEÇA OU RAZÃO
EM SERES PEQUENOS, O FUTURO DA NAÇÃO
LIVROS VIVOS FALAM A VERDADEIRA HISTÓRIA
INDIGENTES CELEBRAM FALSAS VITÓRIAS
A VIDA SEGUE ENTRE O TUDO E O NADA
ENTRE A CANETA E A ENXADA
ENTRE UMA CRUZ E UMA ESPADA

(ANDERSON GIBATHE)