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Poemas e Crônicas - com cheiro de terra e frio do Sul
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Amor Rude
Ultrapassado
Entre leitores
Queima incenso
CAMINHO DE VERSOS DIVERSOS
CRÔNICA - ANJOS
Pedro era um jovem urbano, desde pequeno tinha sua mente povoada por imaginações e lendas que levavam a crer na existência de anjos que o guiavam e acompanhavam.
Boa parte do tempo passava conectado na internet...
Após longas conversas no MSN, Pedro ficou pensativo sobre uma frase dita no final de uma conversa por uma amiga sua:
-Durma com os anjos!
Como seria um anjo. Será que ele tem asas. Dormirei mesmo com um anjo. Estas e outras dúvidas povoavam a mente do inocente moço que passou a acreditar que dormia com os anjos.
Certa noite deitou e em silêncio ficou a escutar o som da grama crescendo no jardim, começou imaginar um anjo dormindo com ele, com uma bela plumagem branca nas asas e um sorriso lindo. Adormeceu e sonhou com seu anjo, no sonho o anjo estava com ele na cama e este começou a brigar.
Pedro acordou assustado com a briga entre ele e o anjo. Olhou para sua cama e viu esta cheia de penas brancas. Sua consciência pesou, pois passou a ter certeza que tinha brigado com o anjo, que fazia companhia em sua cama.
Levantou assustado e notou que tinha apenas rasgado seu travesseiro de penas, que havia ganho de sua mãe.
Cuidado com sua imaginação.
Tinta
Somos a tinta mais colorida
Em um campo cinzento
A fé move nossa vida
E nos traz alento
Unidos em pensamentos semelhantes
Lapidamos nossos planos
Como nobres diamantes
Um poema, um cartão...
Uma conversa, um riso,
Uma história, uma canção
Um fato, um sorriso...
Somos nós
A letra não terminada de uma canção
Como dizia Raulzito
"Duas mãos coladas numa mesma oração"
ESTOU BEM! (Crônica)
-Como estás?
- Estou bem! Graças à atenção psicológica que venho recebendo estou conseguindo superar minhas fraquezas, já estou até tentando descobrir quem sou.
Graças aos calmantes já estou conseguindo até dormir. Esta noite consegui o recorde, dormi 2 horas e neste período até sonhei com paraíso, anjos e luzes.
-Estou bem!
A dor em minhas costas causada por esta cama branca de hospital já parece desaparecer, pois meu corpo já se acostumou.
As fraturas causadas pelo meu último acidente já mostram sinais de cura. Ontem fiz a última cirurgia, já estou conseguindo até mover meu braço, já respiro sem aparelho, já reconheço as pessoas. Não se preocupem, pois estou bem!
Nisso dispara um alarme de um aparelho, e anjos de branco (enfermeiras, médicos e socorristas) se aglomeram e perguntam:
-Como estás?
Aquelas pessoas de branco logo se transformaram em vultos, ao ponto de que não pude mais reconhecê-las, porém com minha garganta seca respondi:
- Estou bem!
Daquele momento em diante nada mais vi a não ser um grande túnel e no final vi um anjo (de verdade) que sorriu para mim, foi sincero e me perguntou:
-Como estás?
Respondi sorrindo:
-Estou bem!
Enquanto isso em meu funeral, as pessoas tentavam acalmar meus familiares com a frase:
-Ele está bem!
Muitos anos se passaram até que restou apenas uma lápide de pedra, os poemas dela se apagaram, restou apenas duas datas, dois símbolos e duas palavras: "Estou bem!".
(Às vezes camuflamos nossa real situação, escondemos nossas mágoas e nossas dores, não se entregamos e anseiamos em cada vez mais dizer: "Estou Bem").
Noite de verão
Gotas crepitam no telhado
A chuva é constante
O sono senta a meu lado
É nobre o ritual
Nem termino minha oração
É um som sem igual
Som da chuva é canção
De tudo esqueço
Respiro suave
E no silêncio adormeço
Sou levado ao mundo dos sonhos
Pulsa em silencio meu coração
E assim eu descanso
Bela noite de verão
Futuro e flores
Fechemos nossos olhos
Para o passado que nos condena
Abramos nossos braços
Para aquilo que vale a pena
Vamos esquecer
Nossas lágrimas e a escuridão
Vamos celebrar
O ritual de nossa união
Levantemos nossos braços
Cantemos um novo tempo
Firmemos nossos laços
Que tudo seja alento
Vamos brindar nossa vida e nosso amor
Que daqui pra frente
Seja tudo belo e simples
Como uma flor
Um verso
E nele o universo
Nada mais preciso dizer
Palavras que me ensinam a viver
Um verso com a complexidade de uma vida
E com a simplicidade de uma flor
"Comungamos o verdadeiro amor"
Perguntas
E os ares estão densos?
Por que me chamam de ranzinza,
Quando eu penso?
Por que os estouros são de tiros
E as músicas são sinos?
E quando me inspiro
Sou levado pelo destino?
Por que as águas se revoltam
E levam a montanha?
E quando falo em desequilíbrio ecológico,
Me chamam de estranho?
Por que matam os anciãos,
Os jovens e as crianças?
E com atos negativos
Matam minha esperança?
Por priorizam a beleza,
O luxo e a estética?
Por que me chamam de ultrapassado
Quando falo em ética?
O último retorno (Crônica)
Pouco havia mudado, o pé de cedro mantinha suas folhas verdes, as quais troca todo ano. Sua sombra ainda forte se projetava sobre a calçada quebrada. Pouco tinha crescido, ou nada diante de meus olhos azulados e cansados, atrás dos meus óculos com bordas bem definidas. O velho cachorro rabujento, insistia em latir, porém em um tom fraco, já desgastado pela velhice. Era Jagunço, cão antigo e companheiro, mas não mais me conhecia.
Continuei a bater palmas na frente da antiga casa, com sótão, pintura quase apagada pelo sol e pelas chuvas. Ou vi uma tosse profunda e um barulho de alguém caminhando lentamente pela velha casa, uma voz rouca perguntou-me quem eu era.
Meus olhos se encheram de lágrimas, pois reconheci a voz, fiquei sem palavras e meu corpo todo se arrepiou. A voz era feminina e tudo indicava que a pessoa que ali se encontrava estava sozinha.
Me identifiquei, mesmo sem enxergar a pessoa com quem eu falava, já sentia quem era. A velha porta se abriu e em frente aos meus olhos se projetou uma face cansada, com os olhos no fundo e um corpo corcunda apoiado por uma bengala de madeira que me chamando pelo nome, perguntou-me o porque de minha ausência por todos estes anos.
Respondi chorando que não estive ausente daquele lugar e sim, estive ausente de mim mesmo, falei do peso de meus sonhos, das verdades aprendidas, de meus medos, escombros e assombros que carregava em meus frágeis ombros.
Fui acolhido por um abraço forte e em prantos conversamos sobre os anos que se passaram, sobre a distância que separou nossas vidas e sobre o tempo que corrói nosso corpo e aos poucos nossa lucidez.
Ao entrar na casa via o velho quadro de “São João Maria”, profeta do Contestado já bem amarelado, servindo de abrigo para algumas aranhas marrons que ali habitavam, uma vela amarela queimava lentamente ao lado do quadro de São Jorge, o guerreiro do cavalo branco, caçador de dragões.
Era o fim do começo ou o começo do fim. Falei de minhas decepções, de meus altos e baixos na vida financeira, social, amorosa e política.
Logo, comecei a ouvir, quando daquela mulher cansada saía uma voz fraca e, dentre outras frases que me chocaram esta me abalou:
-Quando jovem quisera eu dominar a natureza, hoje a natureza me domina.
Olhou vagarosamente para a caixa de remédio tarja vermelha e para seus livros sobre plantas medicinais dispostos numa mesa circular coberta com uma toalha xadrez com bordados de Ponto Cruz.
Deixei minha mala no chão, enquanto a senhora esquentava a água para bebermos um chimarrão e mais tarde um café, que seria servido com broa. Ao ver as fotos de família, os quadros de santo e os calendários de gatinhos brincando com novelos de lã, meu coração pulsou forte, pois tive inúmeras lembranças de tal casa e seus utensílios, quando lembre do meu tempo de infância. Ainda vi um pião e algumas latas antigas, senti forte nostalgia, meus pulsos aceleraram.
Continuamos a conversa e fatos me levaram a tentar explicar o motivo de minha ausência inexplicável. Sem êxito, deixei de arrumar desculpas e fiquei ouvindo as palavras de alento vindas de uma pessoa tão nobre, abandonada naquela casa de madeira, esperando o dia de sua partida. Quanto conhecimento armazenado naquela mulher guerreira.
Ousei ouvir mais, até que a água borbulhava na velha chaleira de ferro e, desde então começamos a tomar um amargo chimarrão, uma bebida sagrada, nobre e vital.
Há mais de 10 anos não visitava dona Francisca, ou melhor, Dona Chica. Há 10 anos abandonei-me e tentei fugir de mim mesmo se refugiando em casas estranhas, sem o cheiro humano. Era preciso, ter feito o que fiz, mas era difícil aceitar tamanho vácuo no coração. Ela também tinha seu vácuo, seus filhos quase nem a visitavam, achavam que ela estava caduca, decadente. Pura imaginação, ela tinha muito vigor. Senti meu peito se preencher com as palavras baixas, mas muito enérgicas de Dona Chica.
Começou a mostrar fotos, algumas bem antigas, vindas da Europa, outras de desfiles cívicos, casamentos e fotos de família. Remexeu alguns documentos velhos e resolveu me doar alguns deles, agradeci e guardei estes em minha mala, poderia ser útil um dia, pelo menos para ser uma amostra do tempo que passou. Havia a foto de uma Igreja, que me chamou a atenção, cartas amareladas e algumas folhas datilografadas.
O sol começou a se por, resolvi me despedir, recebi a bênção e em silêncio me retirei.
Passados dois meses uma carta chegou, dona Francisca havia morrido e seu velório foi no asilo, onde residia há 3 dias. Fiquei sem palavras, sou humano e meu coração ainda pulsa.
Nunca abandone ninguém. Nunca abandone você.
(Anderson Gibathe)
*Os nomes, fatos e relatos são fictícios. Qualquer semelhança é mera coincidência.
A busca
Mas a sinceridade de um olhar
Não busco boca formosa
Mas um sorriso verdadeiro
Não busco lua, nem estrelas
Mas o brilho do luar
Não quero flores coloridas
Mas plantas com vida
Não quero ver seios formosos
Mas peito que me acolha
Não quero a força de um braço
Mas o calor de um abraço
Não busco a roupa bonita
Mas o agasalho que me aqueça
Não busco a grandeza do pão de açúcar
Mas a pureza do diamante
Não busco restos do passado
Mas lições para levar a vida adiante
A preciosa doação
Sabe-se que o sangue é algo que não pode ser vendido, ou seja, sua obtenção para os bancos de sangue seda por meio de doadores voluntários, que periodicamente oferecem parte de seu tempo e de seu “fluído da vida” em prol dos seus semelhantes.
Sendo a doação um ato voluntário, boa parte da população não pratica este ato de amor, surgindo a grande necessidade de mais doadores e maior freqüência de doação por parte dos que já doam.
Além de ajudar a salvar vidas, a doação de sangue consiste numa oportunidade de se fazer vários exames sem nenhum custo e assim fazer uma avaliação de sua própria saúde, identificando possíveis doenças, contribuindo assim para uma qualidade de vida melhor.
É preciso despertar as pessoas com condições de doar sangue para a prática deste gesto bonito e de grande eficácia em muitos casos de saúde do país. Algumas instituições já isentam as taxas de concursos públicos para doadores de sangue, sendo uma forma de incentivo e reconhecimento aos doadores.
O tempo é o grande fator limitante do ser humano na atualidade. A correria do cotidiano afeta de forma significativa boa parte da população, faltando tempo para atividades paralelas, como a doação de sangue, por exemplo. É preciso que nossos representantes no poder discutam e aprovem as doações de sangue em horários alternativos, como a noite ou sábados. Esta medida impulsionaria mais pessoas a doarem sangue, pois muitos não são doadores, devido à falta de tempo.
Com o incentivo à doação, aumenta a quantidade de sangue nos bancos e com isso muitas vidas podem ser poupadas.
Os doadores recebem alguns dias após a doação os resultados dos exames e o tipo sanguíneo, este pode ser colocado em documentos, sendo bastante útil em emergências.
Doar é um gesto de amor! Comente este assunto com seus familiares e amigos, muitos esperam por sua ação.
Maiores informações: www.saude.pr.gov.br
ANDERSON GIBATHE
E-mail: ander.ivai@gmail.com
Blog: www.paranadosul.blogspot.com
(Publicado no Jornal Folha de Irati em 09/10/2009)
Venha o sono
Escorridas palavras nuas
A escassez do sorriso
De mãos dadas com a ausência do juízo
Noites etílicas
Incensos baratos
Vida empírica
Com cor de rato
Vela que some
Oxigênio que se consome
Poeta escreve...
Logo dorme
Sequestradora de Sonhos
Como a Guerra Santa
Minha voz rouca
Agora canta
Por entre os trigais
Neblina se levanta
Sobe ao céu
Mas não chega ao paraíso
Sonhos se dispensam
Quando sua imagem
Some no horizonte
Como um rio que leva a ponte
As pessoas são inconstantes
Se um dia nos amam
No outro nos ignoram
Talvez no outro nos detestem
José foi vendido pelos irmãos
A desgraça alheia é comemorada com festa
Amar é o que nos resta
Quatro estações sem você
O seu abandono
Frio de inverno
Sem meu amor eterno
Na manhã de primavera
Sem a bela e sem a feras
E se chegar o verão
Digo bom dia solidão
Guerras e Tormentas
Armados ou amados
Venham-me todos
Feridos ou iludidos
A guerra é dura
Sei bem o que é
Mas há uma praia segura
Basta você ter fé
Tempestades são fortes
Desafiam a sorte
Mas viram garoa
E se desfazem a toa
Num dia qualquer
"Caminho de Versos Diversos", o livro
Vida Nublada
Eu e ela
Antes era "eu"
Depois "eu" e "ela"
Éramos "nós"
Hoje,
Não sei onde jaz meu "eu"
Nem sei quem é "ela"
Acho que nunca mais seremos "nós"
Quero pelo menos ser "eu"
Talvez não me importe mais quem seja "ela"
Falsificação
Fingindo ser gente
Quão vãos são os ursos de pelúcia
Fingindo ter sangue quente
Quão insignificantes são as rosas de plástico
Fingido ser vivas
Quão cegas são as lentes
Que dizem ser decisivas
Quão falsos os lagos que se acham mar
Quão insignificante é a vida
De quem não sabe amar!
Distâncias invernais
Nos campos gramados
A alma cortada
Pelos ventos gelados
Busco o calor
Por detrás do meu terno
Busco um amor
Que seja eterno
Geada some
No ventre terreno
O sol a consome
Também leva o sereno
Eu permaneço
O sol me aquece
Escrevo poemas
Em forma de preces
O Inverno e sua Ausência
Pulsa forte, meu coração
O vento frio por mim passa
Meu companheiro é o banco de uma praça
Não esperava tal ausência
Que abalou minha existência
Me aquece oh meu terno
Nesta fria noite de inverno
Não posso mais pensar em nada
Triste é minha noite enluarada
Vou para casa adormecer no silêncio
Buscar nos sonhos o suprimento para sua ausência
Ensaio
A neblina, aura santa
Contrastando com o verde
Que ao poeta encanta
Passam dias de verão
Chegam dias de inverno
Não me importa a sensação
Quero este lugar eterno
Araucárias são taças
Campos verdes são graças
Passa o tempo com calma
Repousará aqui a minha alma
Enquanto isso espero o tempo passar
Vendo longe se levantar
A suave neblina
Que sai do vale, desafiando a colina
Reconhecimento
Eterna a poesia
Escrita com a alma
Me alenta e me acalma
Vivem...
Menina
Sinto na alma tua ausência
Pouco importa minha crença
Nem a minha paciência
Você me faz pensar
Me obriga a crescer
Me ensina a perdoar
E amar sem saber
Olhos que me fascinam
Sorriso que me atrai
Seus passos me ensinam
A ir onde você vai
Se encontramos por destino
Que outros chama de sina
Me tornei de volta menino
Para te saudar linda menina
O tempo, a vela e o vento
Passam momentos,
Permence teu silêncio...
Velas se acendem
A luz transpassa
Permanece a dor que não passa
Meu Deus,
E o futuro?
Colocarei em tuas mãos
...
(passe o tempo, venham os ventos, acendam-se as velas, cruzem as mãos)
NOTA: com o passar do TEMPO, o VENTO pode apagar a VELA.
Escultura
Ganhei uma cruz, perdi meu amor
O sol me trará, o calor e a luz
Eu mesmo carregarei a cruz
Quem me trará de volta o amor?
Ausências
Inpaciências, ciências
Inconsciências
Como amar?
Se levaram me a fôrma do amor
Terei que ser agora escultor?
Dai-me um tempo
Dai-me as ferramentas
Dai-me os sentimentos
Tentarei,
Não sei qual obra será a final
Mas a farei
(enquanto eu tiver um coração)
...
Minha ausência
Roubaram meu espelho
Levaram os olhos que um dia foram meus
Onde vagam nestas horas?
Onde jaz o meu eu?
Voltará sem demoras?
Onde foi minha face?
Outrora sorridente
Onde se perderam meus sonhos?
Estarão num vale seco, outrora tão pungente?
Voltai, oh meu eu
Sem mero egoísmo
Voltai a mim
O espelho embora trincado
Os olhos, os sonhos e a face
voltai...
Preciso de você, oh meu eu
Amor, a cura e a droga
Abalou minha estrutura
Aquilo que era para ser minha sorte
Levou-me para perto da morte
O que era o amor de minha vida
Em meu peito virou ferida
Amor, a droga e o remédio
A paz e o tédio
Sonho de criança
Desilusão e esperança
O perfume e o espinho da flor
Amor...
Nada mais que minha crença
que uma poeira do universo
alguém fazendo versos
Cadê, os sonhos que plantei?
roubaram o brilho do luar
venderam a cruz e o altar
Levou-me os olhos e os lábios
escondeu-me a face e o sorriso
me deixou no deserto, caminho para o paraíso
Me trouxeram companhia
rádio de pilha e uma canção
carregados pela Dona Solidão
Foi-se meu sono
sonhos e promessas
o horizonte apenas me interessa
Passe o tempo
corram lágrimas
rosto salgado me pertence
Por culpa de um quadro
tudo acontece
dias se vão e a gente não esquece
Tinta marca e não sai
tão forte, tão intensa
final de dia, resta minha crença
Lançamento do livro (sem cerimônias)
-Não! Ou pelo menos nada de simbólico, nada de cenas, nada de flashs, nada de discursos vãos e nada de flores, nem naturais de plásticos, estas apenas colorem os sentimentos e no momento, nem sei que cor atribuiria a estas. Talvez cinza, se porventura existir tal variedade vegetal ou sintética. Na atual fase o vermelho é muito intenso, assim como qualquer outro tom comum em tais cerimoniais ou rituais.
Se lesse um poema em frente a uma tribuna, não precisaria do tal livro, ou seja, que o “prazer” da leitura não seja morto por um discurso vão que apenas traria a falsa imagem de superioridade, que jamais serviu para algo verdadeiro. Que hipocrisia achar que determinado escritor se coloca acima de qualquer pessoa, muito pelo contrario, pode estar abaixo do mais simples mendigo, embora as cascas enganem, maquiem e neguem qualquer comparação.
Não convém gastar um centavo sequer com tal cerimonial, nem as horas, nem combustível para unir ali as pessoas simpatizantes daquilo que pode ser apenas uma manifestação artística insignificante para a maioria das pessoas da região. Podemos inteligentemente usar o dinheiro, o tempo e o combustível para uma causa mais nobre, como ajuda para alguém, sem nenhuma divulgação é claro, para que não se perda o efeito.
Que seja lançado tal livro, porém em silencio, assim como o luar adentra a noite sem nenhum som e nem por isso deixa de ser um grande espetáculo, porém apenas contemplado pelos que o buscam.
As fotos um dia se apagarão, os discursos apenas esculpem o orgulho, tão adversário da perfeição, tão adversário da humildade e tão adversário da poesia e da arte em si.
Nada contra aqueles que apresentam seus trabalhos em público, pois sabe-se que precisa-se divulgar, porém deve-se tomar cuidado com os reais objetivos de tal divulgação e se esta cumprirá de fato sua função ou se será apenas um meio ilusório. É preciso expor, mas não busco a forma tradicional, busco a criação. Me convém uma matéria específica em determinado jornal ou qualquer outro veiculo de comunicação para mostrar apenas que algo novo está sendo criado.
Composição de mesa para mim é cópia de qualquer palanque que “eleva” as pessoas, ou melhor, traz a sensação de superioridade, que não por poucas vezes busca objetivos pessoais futuros. Sendo isso cópia, torna-se o puro oposto à arte, pois nada se cria, perdendo sua característica maior.
Não objetiva-se o lucro em si, é claro o livro terá que ser vendido, para arcar com custos de impressão, registros e outras taxas decorrentes da confecção. O objetivo magno de tal publicação é mostrar a intensidade que ainda existe e se manifesta em sentimentos que se conduzem a uma metamorfose que se resulta em palavras que originam versos e estes se somam em poemas. Sentimento e arte não são utensílios que podem ser vendidos em qualquer banca ou na mais sofisticada loja, é algo maior, é algo que não possui nem merece ter uma descrição, pois assim perderia seu objetivo principal: levar ás pessoas a pensarem.
Finalmente, quero dizer que não estou endeusando meu trabalho, nem desfazendo este com objetivo de elevar acima de outros, quero deixar claro que não necessitamos de tal cerimônia, mas nem por isso o livro deixará de ser lançado, porém de forma silenciosa, assim como as verdadeiras poesias.
Um abraço!
Anderson Gibathe (se fizer necessário assinar).
Minha Lua Distante
Lembro de ti a todo instante
Queria tanto te contemplar
Queria o brilho do luar
Numa noite estrelada
Quero a sua olhada
Com seu brilho a me falar
Canoa
Deixada a toa
Na beira da lagoa...
Sozinha, traída
Desiludida
Esquecida
Canoa, com remo sem par
Balança devagar
Quer apenas o oceano conquistar
Canoa indecisa
Alguém de ti precisa
Canoa, tardes e brisas...
Eu quero ver
Atrás da serra o sol se pôr
E da terra seca o desabrochar de uma flor
Quero ver ao longe
A linha do horizonte
E a água cristalina brotando de uma fonte
Eu quero ver as curvas da estrada
O olhar de minha amada
E a bandeira da paz no lugar da espada
Eu quero ver tudo isso do princípio ao fim
Pois a vida é um jardim
Em que entre flores e espinhos existem dois caminhos
Em que cada um pode escolher
Por isso que muito mais eu quero ver,
Assim como todo dia vejo sol nascer
Bons ventos
Bons ventos me tragam
O perfume da flor
Bons ventos me levem
Até meu amor
Bons ventos espalhem
As sementes e a neblina
Bons ventos arejem
A verde colina
Bons ventos me tragam
A paz e o alento
Bons ventos desfaçam
Os mais graves tormentos
Bons ventos
Tragam-me os
Melhores momentos
Alento e tempo
Quando tudo é incerto
Quando os jardins viram deserto
Quando a fumaça rompe a neblina
E se desmorronam as colinas
Eu busco alento
Tento adoçar os momentos
Da amarga solidão
E curar as feridas
Do corroído coração
Sou escombros
Amparados em ombros
De amigos que são irmãos
E me pegam na mão
Indicam me a estrada nua
E me dizem que
A vida continua...
Ainda...
Se a flor ainda desabrocha na madrugada
Se o sereno ainda vira geada
Se o sol ainda aquece
Se a planta ainda cresce
Ainda há tempo...
Se a lua ainda emana o luar
Se o pássaro ainda insiste em cantar
Se a água ainda é corrente
Se o sangue ainda é quente
Ainda há tempo...
Se a terra ainda e forte
Se ainda existe o norte
Se ainda germina a semente
Se ainda temos gente
Ainda há tempo...
Se ainda é azul o céu
Se ávida ainda é o maior troféu
Ainda há tempo...
Enquanto da última bomba
Não se ouvir o estouro
E o último grito
Clamando por socorro
Destruição
Destruímos o que amamos
E o futuro que sonhamos
Destruímos nosso juízo
O olhar e o sorriso
Destruímos lutando
Destruímos esperando
Destruímos errado
Face a face, lado a lado
Destruímos sonhos da infância
Com a nossa ganância
Destruímos nosso grito, nosso canto e nossa voz
Destruímos o que é bonito, o encanto
Destruímos nós
Nada feito
Ares cheiram conspiração
Segredos aguardam por revelação
Mitos e lendas
Como taludes e fendas
Aguardando inundação
Os céticos debocham
Os fanáticos se apavoram
Se as horas se renderem aos segundos
Que acabe o mundo
Escombros e ombros
Quando tudo é incerto
Quando os jardins viram deserto
Quando a fumaça rompe a neblina
E se desmorronam as colinas
Eu busco alento
Tento adoçar os momentos
Da amarga solidão
E curar as feridas
Do corroído coração
Sou escombros
Amparados em ombros
De amigos que são irmãos
E me pegam na mão
Indicam me a estrada nua
E me dizem que
A vida continua...
Alento e tempo
Quero alento
Quero mitigar a dor do momento
Quero mudar o meu pensamento
Quero entender
Quero esquecer
Quero viver...
Sentado na estrada
Sem minha amada
Vivo a vida complicada
Não sei a razão
Minha companheira é a solidão
Nas longas tardes de verão
Se perde a graça
Se enche a taça
Ainda bem que o tempo passa
Devagar
Meu filho, vá devagar
Deus em primeiro lugar
Depois a vida
Vai firme, nesta subida
Se comporte
Sejas forte
Conselho de mãe
É deste jeito
Preciosidade, que levo em meu peito
Iguaçu
Iguaçu
Serpente gigante
Que se quebra nos rochedos
Esconde segredos
Em teu leito azul
És água, és energia
És meu Rio Iguaçu
“Apenas” Irati
Os raios de sol transpassam a neblina
Surge na névoa, a verde colina
Em seu topo, a santa
Que os inspirados encanta
Para alguns, paisagem vislumbrante
Para os distraídos daqui
Apenas Irati
Por um dia...
A carta
Letra altiva de minha amada
Muito mais que um papel
Palavras doces como o mel
Sentimentos camuflados
Em versos rimados
Suprema beleza
Em uma carta sobre a mesa
IMAGEM DA CAPA
>>LAGO (ÁGUA): a vida
>>ESTRADA: decorrer da vivência (não aparece o fim, ou seja, simboliza a eternidade)
>>ÁRVORE FLORIDA: poesia
>>CERCA: os desafios
>>ARAUCÁRIA: síumbolo do Paraná, terra onde foram escritos os poemas.
O LIVRO SERÁ LANÇADO EM BREVE, AGUARDA REGISTROS E TRAMITAÇÕES. A DATA, LOCAL (E RAZÃO) SERÃO DIVULGADOS NESTE BLOG. RESERVE JÁ O SEU EXEMPLAR PELO E-MAIL: ander.ivai@gmail.com
VENDEDOR AMBULANTE
Se vende o livro e o estudo
Se vende a lama e a razão
Se vende o pão e o chão
Se vende o voto e a liberdade
Se vende o dom e a intelectualidade
Se vende a força do trabalho
Se vende a estrada e o atalho
Se vende a luz
Se vende a cruz
Se vendem as terras
Se vendem as glebas
Se vende o futuro
Se vende o que é puro
Se vende a segurança
Se vendem os sonhos de criança
Se vende a democracia
Se vende a alegria
Se vendem os direitos
Se vendem os jeitos
Se vende os campos
Também as cidades
Se esconde...
Mas não se vende a verdade
Nuvem noturna
Um poema

Um poema
Um poema para o jardim
Para o começo e para o fim
Poema para o nascimento
Um poema para cada acontecimento
Poema para a sorte
Triste poema para a morte
Poema da chuva: um pingo
Poema para o rei e para o mendigo
Poema de mistério
Poema escondido no cemitério
Poema de dor
Poema de amor
Poema de amizade
Um poema...
Para a eternidade
Noite encantada
ERA PRAÇA
Palco de boêmios, vapor de cachaça
Que saudades dos canteiros de flores
Dos casais de namorados, essência de amores
Ai que saudade daqueles pés de frutas
Do ponto de ônibus, reduto de prostitutas
Saudade das noites de perigo
Lugar das polemicas brigas de mendigos
Ai que saudade da velha praça
Que o progresso comeu
Não tem mais azaléia, nem parque de pneu
Não tem mais o busto do herói
A chuva ácida tudo corrói
Hoje existe uma floresta de pedras acizentadas
Já não tem mais gari, nem funcionário com enxada
Cada um correndo ali passa
Hoje é asfalto
Não é mais praça
OCULTOS MISTÉRIOS

Ocultos mistérios
Rondam os cemitérios
Na cidade esquecida
As folhas caem com a brisa suicida
Um tom macabro
E um candelabro
Com uma vela acesa
No túmulo da princesa
Ruas sem dono
Agonizam no abandono
Cidade adormecida
Uma flor é sinal de vida
Onde jaz o velho lutador
Onde jaz o sonhador
Onde está o amor
Permanece um culto mistério
Ou ta sepultado num cemitério?
Onde está o amor?
Estará na simplicidade de uma flor?
A NOITE
Cai a noite
Como uma imensa cortina negra
Uma brisa sopra e traz a suave sensação
Estrelas dão o show em noites de verão
É mais um dia que se vai
Como tantos que se foram
E como tantos que virão
E como um ladrão silencioso
O tempo vai passando
Levando a vida em suas costas
Te esperando uma resposta
E nesta suave noite
O sono irá te abater
Como uma ave de rapina que abate sua presa
A noite se vai como as águas correntes
E vira o passado que nunca mais há de voltar
Resta apenas aquilo que as pessoas chamam de presente
Cravando uma escada no chão bravo e duro
Para garantir aquilo que as pessoas chamam de futuro
Onde tantas noites cairão
Como cortinas na imensidão
MADRUGADA
Madrugada
Cidade adormecida
Se parece esquecida
Em meio ao nada
Altas horas da madrugada
Sombreado o cemitério
Ocultos mistérios
Imaginação
Nem um carro
Nem um estalo
Solidão
Estranho e sozinho
Cheiro de vinho
Paira pelos ares
Um ar denso
Paro e penso
Vendo as constelações estelares
Um galo canta
Outro responde
Não sei onde
Este é rei
Não tenho medo
Não falo alto
Meus passos crepitam
No gelado asfalto
Vão se os segundos
Os minutos
Logo as horas
E eu vou-me embora
Fui...
Tinta e orvalho

Numa trincheira ou numa emboscada
Num atalho ou numa estrada
Numa festa ou numa floresta
Na terra estranha
No topo da montanha
Acompanhado ou sozinho
A beira do caminho
Tentando entender o universo
Nos toques suaves que formam os versos
Eu escrevo
Eu descrevo o relevo da terra
Destaco as serras
Vales e cachoeiras
Sim, tento ser escritor
Do tudo ou do nada
Ou de nenhum dos dois
Sou mais um que se foi
Para o mundo em busca de aventuras
Se a vida é dura
Hei de amaciar
Se o choro é tanto
Hei de cantar
Se a esperança acaba hei de sonhar
Se nada mais puder fazer
Vou escrever
Nem que seja em minha mente
A poesia é a semente
Num campo pedregoso
E há de brotar entre os espinhos
O caminho
Para ir além
Para o futuro
Para o refúgio mais seguro:
Os versos
Tinta e orvalho
Na folha clara
Ao som de um a cigarra
Eu escrevo
Buscando a razão
Com tinta e gotas de orvalho
Orvalho da manhã
Manhã de verão
GUARTELÁ

No coração de meu Paraná
O povo saúda o belo Canyon Guartelá
Com sua variada vegetação
Do turista chama a atenção
Tem araucária e tem cerrado
Com tanta beleza, o visitante fica encantado
Tem pinturas milenares nas lapas
Sua beleza não está no mapa
Quem por ali passa fala em lugar bonito
Tem esculturas naturais em seus arenitos
Da grande cachoeira ao majestoso mirante
Uma linda visão da paisagem elegante
A conservação da natureza
Guarda este tesouro de belezas
No ambiente, a harmonia
No turista, a expressão de alegria
O sorriso dos voluntários
Dispensa comentários
Tudo isso faz deste Parque Estadual
Um ambiente colossal
Onde a vida e arte natural
Se unem de lado a lado
Num pedacinho deste grande e querido estado
IRATI, ME ORGULHO DE IRATI
Debaixo do lindo céu azul
Brilha a bela Pérola do sul
Com um povo amigo e hospitaleiro
Que honra essa fatia do chão brasileiro
Terra adorada, com lindas praças
E no alto a imagem de Nossa Senhora das Graças
Vejo sinais de um tempo novo
No sorriso amigo de seu povo
Que muito mais que trabalhar
Quer o mundo melhorar
Cidade centenária, com passado glorioso
Que deixa seu povo cada vez mais orgulho
Sua riqueza cultural
Mostra uma diversidade colossal
Amada e querida Irati
Essa é uma simples homenagem a ti
Simples, mas com grande amor
Pois da fertilidade desse chão
Brotará um futuro promissor
Com a força de cada cidadão
THE END
Fumaça é perfumada
Poesia pelo ar
Rola inspiração
Um objeto de cristal
É arranjo na estante
Um verso em cada instante
Tem o lápis em punho
Papel branco é rascunho
Sem amor e com dor
Escreve triste o poeta
Relembra do passado
Dos mendigos, dos profetas
Já não tem a sua amada
Chora triste de mãos cruzadas
Com lágrimas ardentes
Como a pimenta mais forte
É jovem ainda, mas já espera a morte
Se aventura pela tinta
Em folhas de papel
Choro é cachoeira de absinto
Apocalíptico sinal
Já não vê tecnologia
Parece estar na idade média
Internet não tem mais
Nem flores, nem pardais
Ouve badaladas de sinos
Na antiga catedral
Não tem musica de viola
Nem o som típico de vitrola
O seu disco é voador
Seu sentimento é a dor
Já perdeste a família
E a vontade de fazer trilhas
Já perdeu o luar
E a vontade de lutar
Já não tem ambição
Nem amor pelo seu chão
Viu a água avermelhada rolar pelo chafariz
Casa velha é teu lar
Tem o peso do passado
Sobre seu corpo adoentado
Café forte, sua bebida
Já não ama as corridas
Nada importa
Não tem mais juízo
Espera o paraíso
É cristão
Já foi ateu
Já leu a Bíblia
Também o al corão
Era homem bom
Embora fosse aventureiro
Perdeu seu dinheiro
Na busca de aventuras
Em sua mente criou uma ditadura
Viu as canetas do poder
Escreverem sua biografia
Não era lindo, mas foi amado
Pagava os pecados
Sem dinheiro
Com a vida
Existia
Insistia em seus versos
A descrever o universo
Conheceu as maravilhas da ciência
E a profundeza do nada
Não tinha enxada
Mas um dia foi colono
Era sem dono
No amargo do conhaque
Descontava a perversidade
Era poeta
Quem sabe...profeta
Do nada
Foi popular
Perdeu os amigos
Era presidiário de suas idéias
Foi estagiário do sistema
Tudo virou poema
Como a metamorfose da borboleta
Se tornou escravo da caneta
Incensos queimavam no silencio...
De um quarto com luz quase apagada
A vida também
Andou de trem
E muito de carona
Dormiu debaixo da lona
E no nobre castelo
Já usou tênis da moda
Mas só tinha chinelo
Era escultor da tinta
Nas folhas brancas
Conheceu as pessoas mais francas
E as mais traiçoeiras
Decepcionou
Mas foi muito mais decepcionado
Não era político
Era critico
Seu erro:
Tentar entender tudo
Não era mais alquimista
Perdeu seu dom, suas virtudes
Seus vícios
Abismo era seu quarto
Pensou em suicídio
Mas...era contra sua poesia
Que insistia em emanar vida
Daquelas cinzas
Misturadas com lágrimas, sangue, suor
Descobriu sua missão
Na hora que nada lhe interessava:
Era oferenda
Holocausto puro
Para a sociedade e o mundo
Seu cérebro
Comido em uma mesa enfeitada
Pelos gaviões do poder
E da burguesia
Era poesia
Triste, alegre, doce, amarga...
Era um poeta em estagio terminal
Era ... oferenda no ritual mais do que sagrado
Não tinha mais sua amada, nem garotas, nem amigos
Não ligava para perigos
Era oferenda...um prato raro
Posto a mesa....
Era poeta
E o incenso queimava...
Como a vida
De quem é oferenda
Holocausto puro
Poesia não terminada
Falava do nada
Tinha fumaça de incenso
No ar
Se emanava a áura branca
Como um anjo perfumado
No silencio de um quarto
Cristais não brilham mais
Nada brilha neste quarto
Liberdade= utopia
Para ele
O tempo devorou a beleza
Incensos a queimar...
Tem alguém aí?
Tem sim,
Por enquanto!
Mas este é o fim...
Talvez daqui a pouco
Não sejam mais incensos
Sejam velas
Ao lado da grande caixa
Lustrada
Carregada por seis
É a vez...
The end
CONTESTADO

Meu chão amado
Casa esverdeada
Terra cobiçada
Delimitada a sangue, a fogo e a bala
Sua História me abala
Seus campos tão bonitos
Terra de um imenso conflito
Terra onde o sábio João Maria
Rezou em romaria
Com seu povo oprimido
Terra que dos imensos pinheiras
Terra da erva-mate
Onde o combate hoje não mais convém
Terra riscada firme pela linha do trem
Terra que escrevo em meus versos
Um pedaço do universo
Que muitos cobiçaram
E muitos aqui morreram
Porque esta terra amaram
E assim me vou...
Madrugada na cidade adormecida
Cidade adormecida
Se parece esquecida
Em meio ao nada
Altas horas da madrugada
Sombreado o cemitério
Ocultos mistérios
Imaginação
Nem um carro
Nem um estalo
Solidão
Estranho e sozinho
Cheiro de vinho
Paira pelos ares
Um ar denso
Paro e penso
Vendo as constelações estelares
Um galo canta
Outro responde
Não sei onde
Este é rei
Não tenho medo
Não falo alto
Meus passos crepitam
No gelado asfalto
Vão se os segundos
Os minutos
Logo as horas
E eu vou-me embora
IVAÍ
Um lugar onde o povo materializou a cultura
Em sofisticados detalhes da arquitetura
Seus templos demonstram sua força religiosa
Que brota desta gente amiga e calorosa
Da terra forte e das mãos calejadas
Vem o progresso desta cidade amada
Toalha bordada, fartura na mesa
Em suas cachoeiras ilustre beleza
Nas faces humanas
Os traços da cultura ucraniana
Dos estrangeiros fostes terra preferida
Dos brasileiros tão querida
Símbolo da união em sua bandeira
Cidade tranquila, mas hospitaleira
Felicidade e sucesso moram aqui
No meu Paraná, na cidade de Ivaí
(Anderson Gibathe)
A decepção
De quem um dia amou
A decepção quebrou a ponte
De quem um dia a iniciou
A decepção tapou os olhos
De quem um dia longe olhou
Trouxe as lágrimas que em um rosto se propagou
E com sabor salgado em um aboca se acabou
Ela tirou a profecia
De quem era profeta
Ela tirou a poesia
De quem um dia era poeta
Ela derrubou um muro
Quase inaugurado
Deixou uma mancha no passado
De quem olha seu império
Com um tom de cemitério
Pois a decepção
Um dia
Acabou com sua paixão
ESTRADA
Vampiros me rodeiam
Na estrada...
Estrada de pedras
Espinhos e cores
Dores e amores
Estrada
De calor e de frio
De obstáculo: desafio
Estrada...
Onde o cansaço me abate
Onde o tempo me bate
Com uma punhalada nas costas
Me pede uma resposta
Sobre a vida, o futuro, sei lá...
Estrada dirá
Vem
Vou me embriagar com seus beijos
Vem me prender com seu laço
Quero sentir o calor de seus abraços
Vem quebrar meu gelo
Quero acariciar os seus cabelos
Jurar para sempre o meu amor
Vem receber esta flor...
Vem ser minha alegria
E a inspiração de minhas poesias
Vem ser meu amor...
Vem me tirar esta dor
Quero contigo
Ser mais que um amigo
Olhara noite de lua
Andar descalço na rua
Olhar seus olhos e
Jurar meu amor
Sair pelo campo e te dar
Uma flor
Vem completar meu eu
Quero ser seu!
A NOITE
Como uma imensa cortina negra
Uma brisa sopra e traz a suave sensação
Estrelas dão o show em noites de verão
É mais um dia que se vai
Como tantos que se foram
E como tantos que virão
E como um ladrão silencioso
O tempo vai passando
Levando a vida em suas costas
Te esperando uma resposta
E nesta suave noite
O sono irá te abater
Como uma ave de rapina que abate sua presa
A noite se vai como as águas correntes
E vira o passado que nunca mais há de voltar
Resta apenas aquilo que as pessoas chamam de presente
Cravando uma escada no chão bravo e duro
Para garantir aquilo que as pessoas chamam de futuro
Onde tantas noites cairão
Como cortinas na imensidão
A DECEPÇÃO
De quem um dia amou
A decepção quebrou a ponte
De quem um dia a iniciou
A decepção tapou os olhos
De quem um dia longe viu
Trouxe as lágrimas que em um rosto se propagou
E com sabor salgado em um aboca se acabou
Ela tirou a profecia
De quem era profeta
Ela tirou a poesia
De quem um dia era poeta
Ela derrubou um muro
Quase inaugurado
Deixou uma mancha no passado
De quem olha seu império
Com um tom de cemitério
Pois a decepção
Um dia
Acabou com sua paixão
AMOR PERFEITO
Do grande mar azulado
Não dá para segurar a fúria
Do ciclone e do tornado
Não dá para parar a Terra
Do seu giro mais perfeito
Não dá para esconder a verdade
Você é meu amor-perfeito
Madrugada
Se parece esquecida
Em meio ao nada
Altas horas da madrugada
Sombreado o cemitério
Ocultos mistérios
Imaginação
Nem um carro
Nem um estalo
Solidão
Estranho e sozinho
Cheiro de vinho
Paira pelos ares
Um ar denso
Paro e penso
Vendo as constelações estelares
Um galo canta
Outro responde
Não sei onde
Este é rei
Não tenho medo
Não falo alto
Meus passos crepitam
No gelado asfalto
Vão se os segundos
Os minutos
Logo as horas
E eu vou-me embora
VISÕES
AMADORES ENTOAM ANTIGAS CANÇÕES
UMA VELA ACESA, UMA IMAGEM, UMA VIDA
NAS RUAS, A VERDADE DESAPARECIDA
SENHORAS CONSPIRAM AS VIDAS ALHEIAS
NUM PALMO DE TERRA,UMA TEMPESTADE DE AREIA
NAS LIXEIRAS, VALORES DESCARTÁVEIS
NOS DICIONÁRIOS, PALAVRAS INUTILIZÁVEIS
CONFLITOS SEM PÉ, CABEÇA OU RAZÃO
EM SERES PEQUENOS, O FUTURO DA NAÇÃO
LIVROS VIVOS FALAM A VERDADEIRA HISTÓRIA
INDIGENTES CELEBRAM FALSAS VITÓRIAS
A VIDA SEGUE ENTRE O TUDO E O NADA
ENTRE A CANETA E A ENXADA
ENTRE UMA CRUZ E UMA ESPADA
(ANDERSON GIBATHE)













